{"id":5695,"date":"2004-08-31T12:00:55","date_gmt":"2004-08-31T12:00:55","guid":{"rendered":"http:\/\/multiracial.com\/?p=5695"},"modified":"2016-12-22T14:48:58","modified_gmt":"2016-12-22T14:48:58","slug":"cotas-na-universidade-achatamento-e-luta-de-classes-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/multiracial.com\/index.php\/2004\/08\/31\/cotas-na-universidade-achatamento-e-luta-de-classes-2\/","title":{"rendered":"Cotas na Universidade: achatamento e luta de classes"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cotas na Universidade: achatamento e luta de classes<\/p>\n<p class=\"SubTitulo\" align=\"left\">31\/8\/2004<\/p>\n<p class=\"SubTitulo\" align=\"left\">Luis Dufaur<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p><strong>Em vez de elevar o n\u00edvel de ensino p\u00fablico, o arbitr\u00e1rio sistema de cotas empurra candidatos despreparados para universidades, n\u00e3o reconhece os m\u00e9ritos dos alunos e instaura clima de luta de classes<\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" width=\"14%\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/web.archive.org\/web\/20051213084643\/http:\/\/www.tfp-fundadores.org.br\/secoes\/Artigos\/img\/Thumb_nacio01b.jpg?resize=84%2C130\" alt=\"\" data-recalc-dims=\"1\" \/><br \/>\nCharge extra\u00edda do site<br \/>\n<a href=\"http:\/\/web.archive.org\/web\/20051213084643\/http:\/\/www.estudantesdopovo.hpg.ig.com.br\/jep3\/cotas.htm\" target=\"_blank\">www.estudantesdopovo<br \/>\n.hpg.ig.com.br\/<br \/>\njep3\/cotas.htm <\/a><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>\u2014 \u201cVoc\u00ea que \u00e9 negro roubou a minha vaga!\u201d dizia, apontando o dedo, um jovem reprovado no vestibular.<br \/>\n\u2014 \u201cVoc\u00ea que \u00e9 branco que roubou a minha!\u201d, respondia o outro.<br \/>\nA discuss\u00e3o saiu numa charge. Mas \u00e9 um sinal preocupante, pois reflete situa\u00e7\u00f5es que surgem com o sistema de cotas nas universidades, que se tenta implantar no Pa\u00eds.<br \/>\nSeguindo esse sistema, os alunos s\u00e3o classificados pela sua condi\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-econ\u00f4mica e pela ra\u00e7a. As vagas na universidade s\u00e3o distribu\u00eddas segundo essa classifica\u00e7\u00e3o. Em geral, 50% s\u00e3o reservadas para pobres, negros, \u00edndios e deficientes f\u00edsicos vindos da escola p\u00fablica. A propor\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser adaptada, em cada Estado, em fun\u00e7\u00e3o dos dados do censo. Como o sistema n\u00e3o cria novas vagas, os restantes 50% das vagas ir\u00e3o para todos os demais candidatos. Estes ter\u00e3o que obter uma nota m\u00ednima bem mais alta. Assim, cria-se campo f\u00e9rtil para tens\u00f5es: pobres X ricos; negros X brancos; escola p\u00fablica X privada.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"19%\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/web.archive.org\/web\/20051213084643\/http:\/\/www.tfp-fundadores.org.br\/secoes\/Artigos\/img\/Thumb_nacion05.jpg?resize=130%2C100\" alt=\"\" data-recalc-dims=\"1\" \/><br \/>\nVista a\u00e9rea do Campus da Unicamp. Uma das primeiras universidades do Pa\u00eds que adotou o sistema de cotas<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>No Estado do Rio, por lei, 50% das vagas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UNERJ) s\u00e3o para estudantes de baixa renda, sendo 20% para negros e 5% para deficientes f\u00edsicos e minorias \u00e9tnicas. A Universidade de Bras\u00edlia (UnB) foi a primeira institui\u00e7\u00e3o federal a fazer a inscri\u00e7\u00e3o por cotas raciais. A Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR)(1) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)(2) adotaram normas no mesmo sentido. O presidente Lula anunciou que, em aras da \u201cigualdade racial\u201d, estenderia o sistema de cotas a todo o Pa\u00eds. As universidades privadas ser\u00e3o atingidas por meio do Programa Universidade para Todos.(3)<br \/>\nDesde o in\u00edcio, as cr\u00edticas se multiplicaram at\u00e9 entre os supostos beneficiados, porque as cotas geram m\u00faltiplas contradi\u00e7\u00f5es.<br \/>\n<strong>Sistema de cotas nos EUA: experi\u00eancia desastrosa<\/strong><br \/>\nAs cotas imp\u00f5em uma camisa de for\u00e7a \u00e0 universidade, em nome de um igualitarismo abstrato mas radical, que colide com o modo de ser do brasileiro. Por isso, soam alheias \u00e0 realidade.<br \/>\nNo Brasil, a proposta pode parecer nova. Mas nos EUA \u00e9 velha de mais de 30 anos. Naquela na\u00e7\u00e3o, as cotas apareceram ap\u00f3s os conflitos raciais dos anos 50-60. Mas hoje s\u00e3o tidas como sumamente contraproducentes. Os argumentos em que se ap\u00f3iam \u2014 muitos deles tirados do l\u00edder esquerdista Martin Luther King \u2014 hoje voltam-se contra os seus propugnadores.<br \/>\nPete Du Pont, ex-governador de Delaware e presidente do National Center for Policy Analysis, de Dallas, apontou algumas das mais danosas conseq\u00fc\u00eancias das cotas. Alunos ingressavam nas universidades com notas abaixo das de muitos outros, que eram injustamente preteridos por causa da sua ra\u00e7a. O Minist\u00e9rio do Trabalho ordenava aumentar a pontua\u00e7\u00e3o dos postulantes a empregos por conta de categorias raciais, desconsiderando candidatos com mais t\u00edtulos ou m\u00e9ritos. Esta \u00faltima pr\u00e1tica foi declarada ilegal em 1991, mas apesar disso n\u00e3o cessou a ofensiva igualit\u00e1ria. Chegou-se ao absurdo de a Orquestra Sinf\u00f4nica de Detroit ser apontada por n\u00e3o ter a cota certa de m\u00fasicos negros. Ocorria que os artistas eram escolhidos por uma comiss\u00e3o colocada detr\u00e1s de um biombo, para selecion\u00e1-los apenas pela qualidade da execu\u00e7\u00e3o musical\u2026<br \/>\n\u201c Se a nossa pol\u00edtica \u00e9 falsificar a medi\u00e7\u00e3o das habilidades em lugar de melhorar as aptid\u00f5es dos menos h\u00e1beis, ent\u00e3o n\u00f3s nos enganamos a n\u00f3s mesmos e pomos nossa sociedade em risco\u201d, concluiu Du Pont.(4) O argumento \u00e9 digno de ser retido: o melhor \u00e9 trabalhar para melhorar as aptid\u00f5es dos menos h\u00e1beis.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"14%\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/web.archive.org\/web\/20051213084643\/http:\/\/www.tfp-fundadores.org.br\/secoes\/Artigos\/img\/Thumb_nacion04.jpg?resize=93%2C130\" alt=\"\" data-recalc-dims=\"1\" \/><br \/>\nThomas Sowell<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Thomas Sowell, renomado intelectual americano, publicou em mar\u00e7o uma documentada pesquisa sobre as a\u00e7\u00f5es afirmativas e cotas na \u00cdndia, Mal\u00e1sia, Sri Lanka, Nig\u00e9ria, EUA e outros pa\u00edses.(5) Ele constatou toda esp\u00e9cie de desonestidades: minorias que apareciam ou cresciam um pouco por toda parte, falsifica\u00e7\u00f5es de ra\u00e7a etc. Mas o mais grave \u00e9 que as pol\u00edticas de prefer\u00eancias \u00e9tnicas acarretaram \u00f3dio racial. Na \u00cdndia, devido a tal pol\u00edtica, as viol\u00eancias quadruplicaram o n\u00famero de mortos. Na Nig\u00e9ria e no Sri Lanka, as prefer\u00eancias raciais originaram guerras civis. Nos EUA, os conflitos raciais s\u00f3 aumentaram. Sowell mostra que as cotas n\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rias. Pois, um pouco por toda parte, os estudantes sinceramente aplicados melhoraram a sua situa\u00e7\u00e3o educaram-se e encontraram bons postos de trabalho.(6)<br \/>\n<strong>Desest\u00edmulo aos bons alunos de todas as categorias<\/strong><br \/>\nArgumenta-se que as cotas incluir\u00e3o na universidade alunos de categorias sociais ou raciais desfavorecidas. Esses seriam aprovados no vestibular com notas baixas e vagas garantidas a priori. Assim, em julho deste ano, nenhum dos candidatos aprovados pelo sistema de cotas no vestibular, de 15 entre 61 cursos da UnB, tirou nota suficiente para obter vaga pelo sistema normal.(7)<br \/>\nO vestibular \u00e9 s\u00f3 o primeiro passo. Depois os cotistas ter\u00e3o cursos e exames regulares. Mas quem entrou sem estar qualificado, por causa das cotas, corre s\u00e9rio risco de fracassar e desistir logo adiante. A l\u00f3gica das cotas imp\u00f5e que, mais tarde, se facilitem tamb\u00e9m os exames para os inclu\u00eddos. Nessa l\u00f3gica ainda, o governo dever\u00e1 impor que o mundo do trabalho inclua os cotistas. Pois estes, pelo simples fato de serem cotistas, ser\u00e3o suspeitos de duvidosa qualifica\u00e7\u00e3o profissional. No fim do processo, torna-se inevit\u00e1vel que a universidade e a sociedade fiquem engessadas pela planifica\u00e7\u00e3o estatal.<br \/>\nEsse pernicioso efeito verificou-se nos EUA, onde o regime de cotas criou \u201cuma na\u00e7\u00e3o na qual fatores discriminadores arbitr\u00e1rios, como a cor da pele, g\u00eanero ou etnia, s\u00e3o crit\u00e9rios prim\u00e1rios para contrata\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas, concursos de obras p\u00fablicas, admiss\u00f5es e promo\u00e7\u00f5es no emprego\u201d, escreveu Valery Pech, l\u00edder da luta antidiscrimina\u00e7\u00e3o no Colorado, EUA.(8)<br \/>\nDe imediato, no Brasil, os m\u00e9ritos dos bons alunos das escolas p\u00fablicas ficar\u00e3o desvalorizados, enquanto oportunistas poder\u00e3o abrir caminho. Mas a filosofia igualit\u00e1ria que inspira o sistema de cotas n\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o tais evid\u00eancias\u2026<br \/>\n<strong>Cotas prejudicar\u00e3o negros e minorias raciais<\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" width=\"14%\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/web.archive.org\/web\/20051213084643\/http:\/\/www.tfp-fundadores.org.br\/secoes\/Artigos\/img\/Thumb_nacion04.jpg?resize=93%2C130\" alt=\"\" data-recalc-dims=\"1\" \/><br \/>\nO governo de Bill Clinton adotou one drop (uma gota(. Basta ter uma gota de sangue negro para ser considerado black (negro).<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>O sistema alega querer favorecer os negros. Mas o que \u00e9 um negro? O IBGE adota as classifica\u00e7\u00f5es preto (6,2% da popula\u00e7\u00e3o) e pardo (39%). Por\u00e9m, como a miscigena\u00e7\u00e3o no Brasil atingiu todas as formas e graus, os pesquisadores catalogam pretos e pardos como negros. Copiaram o crit\u00e9rio one drop (uma gota), adotado pelo governo de Bill Clinton nos EUA: basta ter uma gota de sangue preto para ser black (negro). Mas como classificar uma pessoa quando ela tem origem nip\u00f4nica, alem\u00e3, ind\u00edgena, italiana? Segundo este crit\u00e9rio, se tem uma gota de sangue negro, ser\u00e1 um negro, ainda que se pare\u00e7a muito mais com um japon\u00eas.<br \/>\nA UnB considera negro todo aquele que se declare tal e tenha o \u201cfen\u00f3tipo de negro\u201d. Ou seja, \u201ccara de negro\u201d.(9) E manda fotografar os candidatos para uma comiss\u00e3o julgar se de fato s\u00e3o negros. O lado odioso do m\u00e9todo fica evidente. Abre-se assim margem para situa\u00e7\u00f5es constrangedoras, arbitrariedades, absurdos l\u00f3gicos, \u00e9ticos e constitucionais,(10) al\u00e9m das inevit\u00e1veis chicanas, azedumes e atritos.<br \/>\nAli\u00e1s, atritos for\u00e7ados. \u00c9 expressivo o caso de uma aluna cotista e negra da UERJ, que declarou ao site Mundo Negro: \u201cPor incr\u00edvel que pare\u00e7a, os meus colegas me surpreenderam. Ainda n\u00e3o vivenciamos nenhum tipo de preconceito partindo deles\u201d.(11) Em sentido contr\u00e1rio, um dos promotores das cotas na UnB, o professor Jos\u00e9 Jorge de Carvalho, do Departamento de Antropologia, desvendou o fundo de est\u00edmulo do sistema \u00e0 luta de classes: \u201cH\u00e1 poucos negros na universidade e isso dificulta que eles se unam para lutar por seus direitos. \u00c9 preciso mudar o tipo de rela\u00e7\u00e3o que existe na academia. E isso s\u00f3 vai acontecer quando houver v\u00e1rios negros l\u00e1 dentro\u201d.(12)<br \/>\nO exemplo americano, mais uma vez, \u00e9 esclarecedor. James Landrith Jr., editor das publica\u00e7\u00f5es \u201cThe Multiracial Activist\u201d e \u201cThe Abolitionist Examiner\u201d, ap\u00f3s tr\u00eas d\u00e9cadas de cotas e a\u00e7\u00f5es afirmativas, concluiu: \u201cEstas classifica\u00e7\u00f5es raciais n\u00e3o acabam com o &#8216;racismo&#8217; nem o diminuem. Elas s\u00e3o uma segrega\u00e7\u00e3o de corpo, mente e esp\u00edrito pela coer\u00e7\u00e3o do Estado. Elas violam os mais b\u00e1sicos e fundamentais princ\u00edpios da privacidade e da liberdade. Est\u00e3o inteiramente erradas, e se queremos sobreviver como na\u00e7\u00e3o livre, n\u00e3o podemos permiti-las\u201d.(13)<br \/>\nPara George Will, da revista \u201cNewsweek\u201d, a classifica\u00e7\u00e3o racial dos cidad\u00e3os leva o pa\u00eds para uma balcaniza\u00e7\u00e3o. E Robyn Blumner escreveu na \u201cJewish World Review\u201d: \u201cTalvez por catalogar tudo em termos raciais, n\u00f3s estamos exatamente exacerbando o problema. [\u2026] Pode ser que a unidade racial chegue mais facilmente se pararmos de falar em ra\u00e7a. E n\u00e3o somente parar de falar, mas parar de analisar e catalogar as pessoas segundo esses crit\u00e9rios\u201d.(14)<br \/>\n<strong>Regress\u00e3o \u00e0s classifica\u00e7\u00f5es escravagistas?<\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" width=\"19%\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/web.archive.org\/web\/20051213084643\/http:\/\/www.tfp-fundadores.org.br\/secoes\/Artigos\/img\/Thumb_nacion08.jpg?resize=130%2C86\" alt=\"\" data-recalc-dims=\"1\" \/><br \/>\nPor dados do Instituto de Estudo do Trabalho e Sociedade, a participa\u00e7\u00e3o do s engros no trabalho formal no Brasil cresceu de 37,31% para 38,66% desde 1990<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Outro pretexto arg\u00fcido \u00e9 reparar \u201cinjusti\u00e7as hist\u00f3ricas\u201d. Entretanto, os problemas de \u00edndole hist\u00f3rica resolvem-se no seu horizonte pr\u00f3prio, ou seja, numa perspectiva hist\u00f3rica. Foi o caso da escravatura generalizada na Europa pelo paganismo antigo. A Igreja extirpou-a completamente com um trabalho hist\u00f3rico eficaz, continuado, s\u00e1bio e paciente. No fim da Idade M\u00e9dia n\u00e3o havia mais escravos no Velho Continente.<br \/>\nPor\u00e9m as cotas raciais, como consignou Susane M.J. Heine no \u201cThe Multiratial Activist\u201d, fazem-nos retroceder na Hist\u00f3ria. Ela lembra a primeira coisa que se fazia com os escravos que desciam dos navios: classific\u00e1-los pela cor da pele. E acrescenta: \u201cCertamente h\u00e1 uma ironia surrealista na id\u00e9ia de que a esquerda sustente um sistema de classifica\u00e7\u00e3o racial, que \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o e um instrumento dos escravagistas. A cacofonia e a fragmenta\u00e7\u00e3o de objetivos, a pura chicana, que encharcam o que \u00e9 de esquerda no movimento pelos direitos civis, hoje \u00e9 uma desgra\u00e7a\u201d.(15) N\u00e3o \u00e9, portanto, com os artif\u00edcios infeccionados da luta de classes que se v\u00e3o resolver na hora e na marra as injusti\u00e7as que possam existir.<br \/>\nO Instituto de Estudo do Trabalho e Sociedade forneceu dados que mostram a artificialidade do sistema proposto. Com efeito, a participa\u00e7\u00e3o dos negros no trabalho formal cresceu de 37,31% para 38,66% desde 1990. Os empregadores negros aumentaram de 22,85% para 25,44%. Bem ao estilo brasileiro, as rela\u00e7\u00f5es e propor\u00e7\u00f5es v\u00e3o se ajeitando cordatamente, sem estardalha\u00e7o e sem atritos.(16)<br \/>\n<strong>Solu\u00e7\u00e3o: elevar a qualidade do ensino p\u00fablico<\/strong><br \/>\nNo caso brasileiro, se h\u00e1 um grave erro hist\u00f3rico a corrigir, ele tem uma solu\u00e7\u00e3o bastante simples. Ela \u00e9 apontada maci\u00e7amente por pais de alunos, professores, estudantes e especialistas: elevar a qualidade do ensino p\u00fablico. Trata-se de restaurar o ensino, excluindo as ideologias niveladoras ou socializantes. Esta \u00e9 a grande a\u00e7\u00e3o positiva necess\u00e1ria para promover os estudantes de poucos recursos.<br \/>\nBasta considerar que o Sistema Nacional de Avalia\u00e7\u00e3o do Ensino B\u00e1sico apontou a respeito da 3\u00aa s\u00e9rie de ensino m\u00e9dio \u2014 \u00faltima s\u00e9rie antes dos vestibulares \u2014 que 7 de cada 10 estudantes t\u00eam um n\u00edvel de aprendizado qualificado muito cr\u00edtico, sobretudo nas escolas p\u00fablicas.(17) Esta \u00e9 uma amostra do mal que \u00e9 preciso eliminar. E que n\u00e3o se conserta incluindo por lei alunos despreparados nas universidades.<\/p>\n<p><strong>Negativismo da \u201ca\u00e7\u00e3o afirmativa\u201d<\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" width=\"19%\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/web.archive.org\/web\/20051213084643\/http:\/\/www.tfp-fundadores.org.br\/secoes\/Artigos\/img\/Thumb_nacion02.jpg?resize=130%2C103\" alt=\"\" data-recalc-dims=\"1\" \/><br \/>\nAs cotas surgiram ap\u00f3s os conflitos racionais dos anos 60 nos Estados Unidos. Na foto, \u00e0 esquerda, o l\u00edder esquerdista Martin Luther King<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>As cotas pretendem ser uma \u201cdiscrimina\u00e7\u00e3o (ou a\u00e7\u00e3o) afirmativa\u201d. Ou seja, uma distor\u00e7\u00e3o da realidade, aceita como mal menor, para mudar a situa\u00e7\u00e3o o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. A express\u00e3o mascara o lado indissociavelmente negativo do sistema. As cotas voltam-se de fato contra os estudantes mais aplicados. Para estes, a t\u00e3o falada igualdade n\u00e3o existe. Pior do que isso, aplica-se uma pol\u00edtica aprior\u00edstica injusta e irritante. \u201c\u00c9 uma discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0s avessas, em que o branco n\u00e3o tem direito a uma vaga mesmo se sua pontua\u00e7\u00e3o for maior\u201d, explicou o jurista Ives Gandra.(18)<br \/>\nO sistema \u00e9 tamb\u00e9m negativo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s escolas particulares que formam camadas de futuros universit\u00e1rios de escol. \u00c9 tamb\u00e9m negativa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s fam\u00edlias que fizeram grandes sacrif\u00edcios para custear a forma\u00e7\u00e3o dos seus filhos nessas escolas, tendo em vista a decad\u00eancia do ensino p\u00fablico estatizado e socializado.<br \/>\nContudo, o ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Tarso Genro, considera que essa pol\u00edtica afirmativa ser\u00e1 boa, na medida em que suscita oposi\u00e7\u00f5es entre ricos e pobres: \u201cquando n\u00e3o h\u00e1 rea\u00e7\u00e3o de privilegiados e poderosos, \u00e9 porque n\u00e3o h\u00e1 pol\u00edtica afirmativa\u201d.(19)<\/p>\n<p align=\"center\"><strong><br \/>\n* * *<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 de se temer que as cotas gerem no Brasil os amargos frutos produzidos nos EUA. Provavelmente eles ser\u00e3o acentuados pela tend\u00eancia para a luta de classes, que a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o e as esquerdas comuno-progressistas tentam inocular por todos os Estados. Esta \u00e9 mais uma grave amea\u00e7a a nosso Pa\u00eds, onde predominava a conviv\u00eancia pac\u00edfica entre todos os brasileiros, n\u00e3o importando a que ra\u00e7a perten\u00e7am, pois todos aqui se relacionam harmonicamente como numa imensa fam\u00edlia.<br \/>\n<strong>Notas:<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n1. Cfr. \u201cO Estado de S. Paulo\u201d, 8-5-04.<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n2. Idem, 26-5-04.<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n3. Idem, 14-5-04.<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n4. Colorblindness Is Golden \u2013 Will Californians vote to join the human race?, American Civil Rights Coalition, http:\/\/www.acrc1.org\/ouside.htm<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n5. Cfr. Thomas Sowell, Affirmative Action Around the World: An Empirical Study, Yale University Press, 2004.<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n6. Cfr. \u201cO Globo\u201d, 29-6-04.<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n7. Cfr. \u201cO Globo\u201d, 13-7-04. Merece destaque entretanto que, em 46 dos 61 cursos, o melhor colocado dos cotistas tirou nota suficiente para passar pelo sistema normal. E em seis cursos os cotistas tiraram absolutamente a melhor nota. Em outras palavras, as cotas n\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rias para os bons alunos negros ou formados em escolas p\u00fablicas.<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n8. \u201cKudos California! You Are Leading Our Nation in Restoring Basic Freedoms\u201d, http:\/\/www.acrc1.org\/kudos.htm<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n9. \u201cO Estado de S. Paulo\u201d, 16-6-04.<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n10. cfr. http:\/\/www2.uerj.br\/~clipping\/marco04\/d20\/oglobo_unb_pardos_so_se_forem_negros.htm<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n11. http:\/\/www.mundonegro.com.br\/noticias\/?noticiaID\u00c2271<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n12. http:\/\/www.comciencia.br\/reportagens\/negros\/06.shtml<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n13. \u201cThe Multiracial Activist\u201d, Outubro-novembro 2001. http:\/\/www.multiracial.com\/abolitionist\/word\/landrith3.html<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n14. \u201cJewish World Review\u201d, 7-12-2001, http:\/\/www.jewishworldreview.com\/cols\/blumner120700.asp<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n15. Racial Classification Is Not a Civil Rights Measure, \u201cThe Multiracial Activist\u201d, Outubro-novembro 2003. http:\/\/www.multiracial.com\/abolitionist\/word\/heine.html<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n16. Cfr. \u201cO Globo\u201d, 20-6-04.<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n17. Cfr. \u201cOESP\u201d, 8-6-04.<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n18. http:\/\/www.comciencia.br\/reportagens\/negros\/06.shtml<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n19. \u201cO Estado de S. Paulo\u201d, 14-5-04.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Cotas na Universidade: achatamento e luta de classes 31\/8\/2004 Luis Dufaur Em vez de elevar o n\u00edvel de ensino p\u00fablico, o arbitr\u00e1rio sistema de cotas empurra candidatos despreparados para universidades, n\u00e3o reconhece os&#46;&#46;&#46;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6771,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[200],"tags":[126],"class_list":["post-5695","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-media-coverage","tag-racial-classifications"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p89tuq-1tR","jetpack_featured_media_url":"https:\/\/multiracial.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/TMA-media-coverage.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/multiracial.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5695","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/multiracial.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/multiracial.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/multiracial.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/multiracial.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5695"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/multiracial.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5695\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5696,"href":"https:\/\/multiracial.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5695\/revisions\/5696"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/multiracial.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6771"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/multiracial.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5695"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/multiracial.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5695"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/multiracial.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5695"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}